"Eu devo ter uns 30 jogos para apagar da minha vida, jogos que eu não quero nunca mais ver, mas tem uns 515 que eu fui muito bem, fiz grandes defesas". Com essa frase, Marcos falou sobre os acertos e erros da carreira, durante a entrevista que oficializou a sua aposentadoria dos gramados, nesta quarta-feira. O ídolo do Palmeiras lembrou dos momentos de títulos e glórias, mas também não fugiu das situações mais dolorosas.Quando questionado sobre a maior alegria de sua trajetória no futebol, Marcos citou o pênalti perdido pelo colombiano Zapata, do Deportivo Cali, que deu ao Palmeiras a taça da Libertadores de 1999.
"Ironicamente, talvez a minha maior defesa foi uma bola que eu não peguei. O chute do Zapata para fora, na final da Libertadores, foi o a maior alegria da minha vida. A hora que eu pulei do lado esquerdo e a vi passar rente ao lado direito foi uma sensação indescritível. Eu sai correndo e não sabia o que fazer. Se o fosso do Palestra não fosse tão fundo, eu tinha me jogado lá dentro", contou o goleiro, na Academia de Futebol.
Logo na sequência, Marcos também falou sobre a sua maior tristeza, na derrota para o Manchester United, por 1 a 0, na final do Mundial de Clubes daquele mesmo ano, quando falhou na saída de bola após cruzamento de Giggs, que resultou no gol de Roy Keane.
"Eu estava em uma fase muito boa e minha maior tristeza foi o Mundial. Eu ficava torcendo para gente chegar ao empate. Eu olhava para o time deles e via caras como Beckham, Giggs, e pensava: 'Se nós fizermos 1 a 1, eu vou deitar o cabelo em cima deles nos pênaltis. Vou ficar grandão'. Mas fiquei caçando borboletas e perdemos. Lógico que derrotas como os 7 a 1 para o Vitória e os 6 a 0 para o Coritiba também doeram, mas essa foi a minha pior falha", reconheceu.
Durante uma hora e cinco minutos, tempo que durou a entrevista coletiva nesta quarta, Marcos também comentou sobre diversos outros momentos da carreira. Entre eles, contou um caso curisoso no duelo contra o Sport, em Recife, pelas oitavas de final da Libertadores de 2009, quando o Palmeiras se classificou nos pênaltis, em mais uma partida memorável do goleiro. Marcos defendeu três cobranças, batidas por Luciano Henrique, Fumagalli e Dutra.
"Nesse jogo contra o Sport eu estava pegando, e goleiro quando pega muito... Falei para os caras no meio-campo: 'Três pênaltis estão garantidos porque essa noite eu estou inspirado'. Essa foi uma das últimas grandes partidas que eu fiz. O Vanderlei (Luxemburgo, técnico) ainda falou antes se qeu não queria bater um pênati, mas eu disse: 'Não vou bater porque se eu pensar nisso vou deixar de me concentrar para pegar", contou o ex-atleta.
A defesa do pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, na semifinal da Libertadores de 2000 contra o rival Corinthians, também foi abordada por Marcos: 'Ás vezes eu ficava até bravo na época, parece que eu só tinha feito essa defesa na vida, mas hoje eu entendo a importância".
Titular do pentacampeonato mundial com a seleção brasileira em 2002, na Copa do Japão e da Coreia do Sul, Marcos tinha a confiança do técnico Luiz Felipe Scolari. Mas, segundo o próprio ex-atleta palmeirense, ele chegou a falar para o treinador para escalar os outros goleiros do elenco.
"Eu nao queria, porque o Rogério (Ceni) e o Dida estavam voando. Eu falava para o Felipão: 'Coloca os caras'. Mas para mim foi uma emoção fortíssima, acho que a coisa mais emocionante de uma Copa, de uma seleção, é você perfilar e cantar o hino nacional", relembrou Marcos.
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