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sábado, 28 de maio de 2011

Barcelona e Manchester colocam estilos e domínio europeu à prova em busca do quarto título

Nemanja Vidic e Rio Ferdinand foram os convocados para a entrevista coletiva do Manchester United prévia à partida. Victor Valdés e Carles Puyol, os escolhidos do Barcelona. O fato não é irrelevante, é, na verdade, simbólico. O lugar comum aponta para uma fácil análise de ataque contra defesa na final de logo mais, em Wembley. Mas será que na verdade não veremos uma final de defesa contra defesa?

O jogo começa às 15h45 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo da ESPN, ESPN HD, Rádio Estadão ESPN e tempo real no ESPN.com.br. A final da Champions League pode ser vista também em salas de cinema em 3D, com narração de Paulo Andrade, comentários de José Trajano e Paulo Vinícius Coelho e reportagem de André Plihal.




A força da defesa do Manchester United já é conhecida por todos. O time levou só quatro gols em doze partidas na Champions League, tem um goleiro que se despede do futebol com quatro finais europeias nas costas e a dupla de zaga que é considerada a melhor do mundo: justamente Vidic e Ferdinand. "Dependemos muito da experiência desses rapazes aqui", disse, ontem, o técnico Alex Ferguson na coletiva, ao lado de seus pupilos.

O grande erro é ver, neste duelo final, o Barcelona como um time que só ataca. O Barça usa o controle da posse de bola como uma arma tão defensiva quanto ofensiva, afinal, como todos sabem, é muito difícil levar um gol se você estiver em controle. Em muitos momentos do jogo, a posse é "estéril", para literalmente descansar enquanto o oponente corre atrás. Na liga espanhola, vencida pela terceira vez seguida pelo Barça, quem teve o melhor ataque foi o Real Madrid, mas quem levou menos gols foi o time catalão (21 gols em 38 jogos).

Na temporada 2006/2007, o Barcelona teve 61,1% de posse de bola, em média, em seus jogos na Champions. Nos anos seguintes, essa média subiu para 63,2%, 65,6% (ano do título em Roma), 70,6% e, na atual temporada, 73,3%. Mas, em relação ao ano do título, em 2008/2009, a atual campanha tem menos gols marcados por jogo (2,25 contra 2,46) e também menos gols sofridos por partida (0,67 contra 1). 

A chave é clara. A pressão defensiva, exercida principalmente pelos atacantes, faz o Barcelona roubar rapidamente a bola do adversário. Com a posse, o time controla os minutos e ataca quando quer, "descansa" em outros momentos do jogo com a bola nos pés.


A grande chave para a final deste sábado é: o que fará o Manchester United para quebrar essa rotina? "A qualidade de nosso time é a unidade, a coesão em campo. Nós sempre reconhecemos a qualidade dos oponentes, não é sábio preparar jogos sem falar das forças e fraquezas, fazemos isso com todos os times. Sabemos do potencial do Barcelona, mas nosso jogadores de ataque estão lá também", avisou Ferguson.

Apesar de a mídia britânica ter "anunciado" a escalação do Manchester com Chicharito e Rooney à frente, Valencia e Park abertos e Giggs como segundo volante, ao lado de Carrick, ninguém ficará surpreso se Alex Ferguson optar pelo compatriota Daren Fletcher para dar mais consistência ao meio de campo.

Foi congestionando a área central que o Real Madrid conseguiu incomodar a criação do Barcelona e empurrou o time de Guardiola, com a bola, lógico, para perto da área de Valdés. Ferguson pode optar pela mesma tática, usando o contra ataque como arma - foi assim que ele segurou o Barcelona e não levou gols em dois jogos nas semifinais de 2008. Ou então pode usar uma formação menos cautelosa e partir para o ataque, "combater fogo com fogo", como resumiu um jornal inglês.

"Nos preparamos bem, estamos mais maduros do que éramos em 2009. O Barcelona tem qualidades fantásticas, mas nós também. Pode ser a melhor final da década, os atrativos são óbvios, pode haver muitos gols, emoção, bom jogo", anunciou Ferguson, passando a sensação de que pensa no ataque como melhor defesa. 

Os jogadores do Barcelona foram unânimes em manter o discurso, anunciar que o time jogará da mesma maneira de sempre, fiel a seu estilo. Mas, enquanto alguns veteranos, como Puyol e Valdés, falam em "desfrutar em campo", pois não sabem se estarão em uma final como essa de novo, o chefe Guardiola manda o recado.

"Nas finais, se desfruta pouco. Tem que competir e sofrer muito, competir com tudo o que tiver dentro. Ou se tem muito desejo de ser campeão ou não será campeão. É uma satisfação muito grande estar aqui e jogar à nossa maneira, é a melhor imagem que podemos transmitir. Mais do que nunca, temos que mostrar ao mundo nosso jogo, esse é o nosso objetivo mais importante."

Manchester United, em 1968, e Barcelona, em 1992, ganharam o Europeu pela primeira vez no velho Wembley - o estádio, renovado e reinaugurado há quatro anos, recebe seu evento mais importante desde então. Quem ganhar, chegará ao quarto título europeu, igualando os feitos de Bayern de Munique e Ajax.

O Barcelona tenta conquistar sua terceira Champions League em seis temporadas. O Manchester United, a segunda em quatro anos.

BARCELONAValdés; Daniel Alves, Puyol, Mascherano e Puyol; Busquets, Xavi e Iniesta; Messi, Pedro e Villa
Técnico: Josep Guardiola

MANCHESTER UNITEDVan der Sar; Fábio, Vidic, Ferdinand e Evra; Valencia, Carrick, Giggs e Park; Chicharito Hernández e Rooney
Técnico: Alex Ferguson

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