A atuação de Neymar na vitória por 2 a 1 contra o México, na terça-feira, em Torreón, ficou abaixo da média do santista na seleção. Um dos fatores certamente é o cansaço físico pela maratona de 58 jogos no ano; o outro, Efraín Juárez, lateral do Zaragoza, encarregado de marcar o astro brasileiro no amistoso.Juárez foi a sombra de Neymar enquanto esteve em campo - no segundo tempo, ele foi substituído por Pérez. E o mexicano não se impressionou com o futebol do brasileiro e viajou de Torreón à Cidade do México ao lado do defensor, que falou por mais de uma hora sobre os problemas sociais e políticos do país, sobre sua carreira no futebol europeu... E, claro, sobre Neymar.
"Ele é muito famoso no Brasil? É uma estrela?", perguntou Juárez quando o assunto surgiu. Diante da resposta positiva, fez uma cara que mostrava um certo espanto. "Sério? Não achei que ele seja isso tudo. Na Espanha, leio todo dia sobre ele, falam que vai para o Real Madrid... Já tinha visto alguns lances, mas ontem foi o primeiro jogo inteiro. Não achei nada demais", disse.
Ao saber que, no Brasil, a adoração por Neymar é semelhante à que os mexicanos têm por Chicharito no México, Juárez espantou-se ainda mais. Susto maior, mesmo, só quando ouviu que parte das garotas brasileiras acham o atacante bonito, e que existe uma espécie de "Neymarmania". "Bonito? Não é possível!", disse Juárez, antes de dar uma gargalhada. Depois, voltou a falar sério.
"Acho que ele se joga demais", disse, quase sussurrando - o pai de Neymar estava no mesmo voo, a menos de dois metros do lateral. "Como se joga! Cai sempre, não se pode nem dar um tranco nele!", completou Juárez, de 23 anos, que antes de chegar ao Zaragoza passou pelos Pumas, do México, pelo Barcelona B e pelo Celtic.
Apaixonado pelo futebol brasileiro, Juárez mostrou-se um conhecedor profundo do presente e do passado dos jogadores do país. Quando o assunto chegou aos grandes clubes dos anos 1960 - motivado por uma comparação com o Barcelona atual - falou do Santos, de Pelé. Mas o mexicano empolgou-se mesmo quando o nome de Garrincha surgiu. "Era um mágico, uma lenda. Já vi vários vídeos, é o maior ponta de todos os tempos."
"Também gosto do Romário, um finalizador perfeito. Mas o melhor brasileiro que vi jogar foi mesmo 'El Gordo'", disse, referindo-se a Ronaldo. "'El Gordo' era impossível. Ninguém conseguia pará-lo na arrancada."
Juárez esteve na Copa do Mundo de 2010, quando o México foi eliminado nas oitavas de final pela Argentina. A Argentina de Lionel Messi, a quem o lateral teve de marcar. "É um grande jogador. Na Copa não foi o Messi do Barcelona, mas ainda assim deu muito trabalho para nossa defesa", afirmou Juárez.
Ao saber que, no Brasil, há que tenha tentado comparar Neymar a Messi, o mexicano espantou-se mais uma vez. "Isso não existe. Não tem comparação. Messi é o melhor do mundo, e Neymar ainda tem que provar muita coisa", afirmou.
Na primeira rodada do Campeonato Espanhol, o Zaragoza, de Juaréz, perdeu por 6 a 0 em casa para o Real Madrid. Se Neymar for mesmo para o clube da capital espanhola em 2012, o mexicano terá a chance de reencontrá-lo. Aí, quem sabe, poderá mudar suas impressões sobre o santista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário