
O contrato de Adriano com a Roma previa o pagamento de 2,85 milhões de euros por ano. A rescisão acontece quando faltavam 28 meses para o término do contrato. Deu-se em comum acordo. Adriano abre mão de receber o que a Roma deveria lhe pagar pelo tempo restante de contrato, 6,6 milhões de euros. A Roma abre mão de cobrar do atacante as multas impostas por seus frequentes atrassos nos oito meses em que atuou na capital italiana.
A rescisão contratual foi confirmada pelo site da Roma na terça-feira à noite e pelo procurador do jogador, Gilmar Rinaldi, em seu twitter, na manhã desta quarta-feira. No diálogo entre Adriano e seu empresário, Gilmar perguntou se o atacante queria sua presença para negociar as bases do acordo. Ouviu a resposta que não era necessário. Adriano respondeu também que pretende se recuperar da cirurgia no ombro no Brasil e só depois disso pensar no que vai fazer da vida.
Significa que o desejo do Flamengo contar -- ou não contar -- com Adriano neste momento tem pouco valor. O imbróglio vai se arrastar pelos próximos 40 dias. Na Gávea, todo o baixo clero pressiona para ter de volta o herói do título brasileiro de 2009. O departamento de futebol reluta. Com razão, Vanderlei Luxemburgo pondera se vale a pena ter de volta à Gávea um jogador incapaz de cumprir seus compromissos profissionais, exceto o de jogar bem, como fez em 2009 e não conseguiu em 2010.
A presidente Patrícia Amorim não se manifestou sobre a possibilidade de ter Adriano de volta, mas, política que é, parece a mais vulnerável às pressões, tanto da torcida, quanto as internas, no clube.
Há três meses, a discussão tinha os mesmos personagens e posições diferentes. Vanderlei Luxemburgo e a direção de futebol do Flamengo, com Isaías Tinoco e Luís Augusto Veloso, eram favoráveis à contratação do goleiro Felipe. A presidente Patrícia Amorim era contra. Não se convencia de que o custo-benefício seria favorável à contratação do goleiro. Hoje, é consenso na Gávea que a decisão de contratar Felipe foi correta.
Com Adriano, é diferente. Ele jogou muito bem em 2009, não atuou com regularidade em 2010. Há quem diga na Gávea, porém, que mesmo quando jogava suas melhores partidas, Adriano causava tantos problemas quanto os que ficaram evidentes em 2010. A difrerença é fazia gols e decidia jogos.
Está claro que o Flamengo discutirá nas próximas semanas se quer ou se não quer Adriano no seu elenco. Mesmo se quiser, será favorito para ter o Imperador, mas não tem essa garantia. Gilmar Rinaldi diz que seu telefone tocou desde o anúncio oficial da rescisão com convites do mundo inteiro. Isso pode significar sondagens do Oriente Médio, dos Estados Unidos e do Corinthians.
Pelo passado recente do Imperador, a posição deste colunista é: a decisão de contratar Adriano, em qualquer dos casos, não é boa.
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