A final de sábado pode ser a final de Ryan Giggs. Com 37 anos de idade, o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Manchester United fez uma temporada acima da média, é o líder de assistências da atual edição da Champions League e pode se consagrar ainda mais se levar seu terceiro título europeu. Antes disso, e por motivos que nada têm a ver com o futebol, pode-se dizer tranquilamente que vivemos a "Semana Ryan Giggs". O meia galês está envolvido até o pescoço em um escândalo sexual que ganhou tanta importância na Grã-Bretanha que abocanhou manchetes em um dia que teve até o desembarque do presidente americano, Barack Obama, na Irlanda - ele vem à Inglaterra nesta terça. As capas dos principais jornais do país desta terça, já mostradas nos canais de TV, também têm o jogador como manchete principal.
Giggs teve um caso com a galesa Imogen Thomas, 28, ex-participante da versão britânica do Big Brother. Conseguiu, junto à justiça, uma "injunction", termo que cada fez mais faz parte do dia a dia da terra da Rainha. A tradução mais próxima para "injunction" é "proibição". Na verdade, é um mandado de segurança que impede que qualquer meio de comunicação de citá-lo referindo-se ao caso extra conjugal.
A lei inglesa mudou poucos anos atrás para dar mais segurança a políticos e celebridades que têm suas vidas particulares assediadas, especialmente pelos tabloides. Foram criadas jurisprudências, e muitos destes famosos conseguiram os mandados para que seus nomes não sejam atrelados a escândalos. Alguns, como Giggs, conseguiram até "superinjunctions", mandados que proíbem não só os nomes, mas os próprios casos de serem citados pela mídia. Para a justiça, notícias que dão conta da vida privada das pessoas só são notícias - só podem ser publicadas - se tiverem relevância para o interesse público.
É a velha discussão e que, pela figura do jogador, toma conta do país. Até onde a liberdade de imprensa permite que vidas privadas sejam vasculhadas e noticiadas?
O fato é que, ao impedir seu nome de ser publicado, Giggs passou a sofrer com o efeito contrário. O caso virou tópico principal no Twitter, onde as pessoas não se preocupavam em não citar o nome do jogador. E foi criada a contradição. Por que os jornais não podem citar Giggs se mais de 30 mil tweets com o nome do jogador foram publicados no sábado, quando a ferramenta social teve seu maior número de acessos na história do Reino Unido?

Imogen Thomas: eis o motivo da polêmica envolvendo Giggs
Crédito da imagem: Divulgação
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Nesta segunda, os jornais britânicos foram unânimes em chamar de "farsa" a lei que os proíbe de falar do jogador. E este estaria atrás dos tuiteiros anônimos que revelaram sua identidade para processá-los. No domingo, dia em que o nome de Giggs era tuitado uma vez a cada cinco segundos, um jornal escocês, o "Sunday Herald", publicou uma foto do galês na capa com um tarja negra em seus olhos e a palavra "censura".
"Nós identificamos hoje o jogador que pediu a 'superproibição' e está sendo citado em milhares de posts no Twutter. Por que? Porque acreditamos que é insustentável uma lei usada para prevenir os jornais de publicar informações que os leitores podem acessar na Internet com o clique de um mouse", dizia o editorial do jornal escocês - que se considerou fora do âmbito da proibição emitida pela justiça inglesa.
Hoje, a discussão chegou à "Casa dos Comuns", a Câmera dos Deputados da Inglaterra. O deputador liberal democrata John Hemming usou o caso para questionar os mandados emitidos pela justiça e que afetam também muitos políticos. "Mais de 75 mil pessoas falaram no nome de Ryan Giggs no Twitter. O que vamos fazer? Prender todas elas?", questionou Hemming.
"Nós identificamos hoje o jogador que pediu a 'superproibição' e está sendo citado em milhares de posts no Twutter. Por que? Porque acreditamos que é insustentável uma lei usada para prevenir os jornais de publicar informações que os leitores podem acessar na Internet com o clique de um mouse", dizia o editorial do jornal escocês - que se considerou fora do âmbito da proibição emitida pela justiça inglesa.
Hoje, a discussão chegou à "Casa dos Comuns", a Câmera dos Deputados da Inglaterra. O deputador liberal democrata John Hemming usou o caso para questionar os mandados emitidos pela justiça e que afetam também muitos políticos. "Mais de 75 mil pessoas falaram no nome de Ryan Giggs no Twitter. O que vamos fazer? Prender todas elas?", questionou Hemming.
Giggs merendou bem.
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