Duas semanas depois de o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, garantir que o Beira-Rio será sede da Copa do Mundo de 2014, nesta segunda-feira o estádio do Internacional voltou a ficar ameaçado de ficar de fora do maior evento do futebol mundial.
"Se será no Beira-Rio ou não, já tenho minhas dúvidas", admitiu o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), em entrevista à Rádio Gaúcha que acabou renovando a polêmica sobre a capacidade do clube e da construtora Andrade Gutierrez cumprirem os prazos exigidos pela Fifa.
O Internacional teria prometido a assinatura do contrato com a construtora para esta semana. Se isso não acontecer, o prazo deve ser estendido até o final de março. Caso não haja acordo, a solução pode ser fazer os jogos do Mundial na Arena do Grêmio, que está sendo construída e tem prazo para ficar pronta no final de 2012. A mudança de estádio dependeria de uma aprovação da Fifa, mas a entidade não deve colocar grandes obstáculos para isso. Uma possível exclusão da cidade de Porto Alegre da Copa acarretaria em prejuízos maiores, já que o calendário das partidas está definido desde outubro do ano passado.
Com a repercussão do caso, o Comitê Organizador Local (COL) da Copa soltou uma nota oficial negando que tenha estipulado um prazo para que o Inter defina a situação do Beira-Rio.
"O Comitê Organizador Local (COL) informa que não há uma data limite para a assinatura do contrato das obras de reforma do Beira-Rio. O COL monitora a situação de perto e continua na expectativa da assinatura do contrato o mais breve possível", diz o comunicado.
A nova discussão começou no sábado, quando a construtora publicou nota nos jornais do Rio Grande do Sul informando que conseguiu definir todos os demais investidores necessários à viabilização do projeto. A reforma do Beira-Rio deve custar R$ 330 milhões. A empresa e seus parceiros, ainda não identificados assumem os custos e ficam com a administração de parte do estádio, como 121 camarotes e 5 mil cadeiras. Mas, para obter o empréstimo do BNDES, devem apresentar garantias financeiras.
Na mesma nota, a Andrade Gutierrez diz que apresentou "um plano sólido de garantias" ao Banrisul, agente repassador de recursos do BNDES, e reclama que sem a aprovação das garantias não é possível obter o financiamento e constituir a sociedade de propósito específico que viabilizará a reforma. O Banrisul reagiu por nota distribuída nesta segunda-feira, na qual sustenta que "a proposta apresentada pela construtora não está suficientemente estruturada, em relação às garantias, para realizar a operação de financiamento".
A divulgação das notas e a manifestação do governador lançaram dúvidas sobre a viabilização do projeto nos prazos adequados. O presidente do Internacional, Giovanni Luigi, considerou positivo que a empresa tenha divulgado que encontrou os parceiros para a formação da sociedade de propósito específico, mas admitiu que o Banrisul pode ter suas próprias normas para aceitar ou não garantias. A empresa divulgou nova nota à imprensa, na qual reitera que vai buscar uma solução consensual para o entrave existente e "está envidando esforços para negociar as garantias dos parceiros, única pendência para a formação da sociedade de propósito específico".
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