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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Freguês da França em Copas, Brasil aposta em novidades para quebrar jejum



Apesar de levar vantagem no confronto direto com a França, o Brasil é um verdadeiro freguês da seleção europeia em Copas e jogos oficiais. Superior apenas em partidas de caráter amistoso, o time canarinho tenta quebrar um jejum de 19 anos às 18 horas (de Brasília) desta quarta-feira no Stade de France, palco do vice-campeonato mundial de 1998, um dos capítulos traumáticos do duelo diante dos gauleses.


Sucessor de Dunga no comando do Brasil, Mano Menezes tenta sua primeira vitória contra um adversário expressivo, já que caiu diante da rival Argentina após vencer com facilidade Estados Unidos, Ucrânia e Irã. Na única derrota do atual treinador, o carrasco Zinedine Zidane estava nas tribunas em Doha como embaixador da candidatura do Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022.




Na França, Mano Menezes deve escalar a equipe com algumas novidades. Titular na Copa do Mundo da África do Sul, o goleiro Júlio César está de volta. No meio-campo, Hernanes, que deixou o São Paulo para defender a Lazio, e Renato Augusto, revelado no Flamengo e atualmente no Bayer Leverkusen, são favoritos para atuar desde o início da partida.



Nascido no dia 8 de fevereiro de 1988, Renato Augusto recebeu a chance entre os titulares como um presente de aniversário. "Eu amadureci bastante e estou num bom momento na carreira. É claro que ainda não é uma certeza que vou jogar, mas estou pronto para essa oportunidade. Se eu jogar cinco ou 90 minutos, para mim a importância será a mesma", declarou.



Empossado após o fiasco protagonizado por Raymond Domenech na África do Sul, o ex-zagueiro Laurent Blanc terá uma nova oportunidade de enfrentar o Brasil no Stade France na medida em que, suspenso, desfalcou a seleção francesa na final de 1998. O técnico iniciou sua trajetória com derrotas contra Noruega e Bielo-Rússia, mas vem de triunfos diante de Bósnia, Romênia, Luxemburgo e Inglaterra.



"Nós somos uma das nações que mais atormentam o Brasil. Estamos jogando contra uma das melhores equipes do mundo, mas vamos entrar com todas as nossas forças", afirmou o ex-zagueiro, de forma respeitosa. "Jogar contra o Brasil é uma honra, um privilégio. Não é sempre que isso acontece e por isso os jogadores vão se doar ao máximo", declarou.



O lembrete de Laurent Blanc na véspera do confronto faz sentido. Em Copas do Mundo, a França tem duas vitórias, uma derrota e um empate seguido de triunfo nos pênaltis. Em jogos oficiais, os europeus têm apenas um tropeço em cinco encontros. A seleção brasileira leva vantagem somente nos amistosos (tem quatro vitórias, três empates e um revés).



O Brasil venceu a França pela última vez no dia 26 de agosto de 1992. Então sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira, o time canarinho bateu os donos da casa no Estádio Parque dos Príncipes por 2 a 0 com gols de Raí e Luís Henrique. Desde então, a seleção virou pentacampeã mundial ao conquistar os títulos de 1994 e 2002, mas acumulou uma série de dois empates e três derrotas contra os gauleses.



Escalado em 1992, Mauro Silva ficou surpreso ao saber que participou do triunfo mais recente contra a França. "Foi a última vitória? Nossa, faz muito tempo", disse o ex-volante à agência. "Esse amistoso de agora tem uma significado enorme, porque a França sempre costuma complicar e não é desde 1998, é desde 1986. Nunca é só um amistoso, porque tudo isso aumentou a rivalidade. Temos que tentar ganhar sempre", afirmou.



Já o ex-lateral Júnior, também presente em 1992, vê semelhanças entre as escolas dos dois países. "Aquele meio-campo de 1986 tinha uma técnica e uma inteligência muito grande, comparáveis às do Brasil de 1982. Desde 1978, a França tem gerações acima da média. O jogo de agora tem uma conotação muito mais importante do que o de 1992, porque o Mano está formando uma nova seleção e fazendo experiências. Não espero uma repercussão negativa em caso de derrota, mas vai continuar aquela história de resultados negativos contra os franceses".



Diante da França, o Brasil viveu algumas de suas maiores tragédias futebolísticas, e a torcida elegeu vilões que convivem com a pecha até hoje. Nas quartas de final de 1986, após Zico desperdiçar um pênalti no tempo normal, Sócrates e Júlio César fizeram o mesmo nas cobranças. No entanto, o lance mais lembrado é a infelicidade do goleiro Carlos no chute de Bruno Bellone.



Na final da Copa de 1998, o Brasil, então defensor do título, perdeu por 3 a 0 para os anfitriões após o centroavante Ronaldo sofrer uma convulsão na concentração em um episódio ainda não esclarecido. Oito anos depois, na Alemanha, o meia Zinedine Zidane voltou a fazer a diferença e deu a assistência para o atacante Henry marcar o único gol das quartas de final, enquanto o lateral Roberto Carlos arrumava suas meias.



Para completar a série de insucessos, o Brasil perdeu para a França na decisão da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984. Os jogadores profissionais atuaram de forma inédita no torneio, desde que não tivessem participado de Copas do Mundo. O técnico Jair Picerni apostou em uma base do Internacional e perdeu a final por 2 a 0 com nomes como Dunga e Mauro Galvão em campo.



Para vencer seu único jogo oficial diante da França, o Brasil precisou de Pelé e Garrincha, que jamais foram derrotados juntos com a camisa da seleção. Na semifinal da Copa da Suécia, o time então comandado por Vicente Feola eliminou a equipe do artilheiro Just Fontaine ao vencer por 5 a 2. Na época com 17 anos, Édson Arantes do Nascimento marcou três gols.






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